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Você chega ao posto para abastecer, e o frentista faz a indefectível
pergunta: “Quer dar uma olhadinha no óleo, doutor?”. Pois saiba que qualquer
pessoa que entende o mínimo de lubrificação tem arrepios em pensar que os
dedos do profissional que trabalha em um posto faz as vezes de viscosímetro.
Da mesma forma, não faltam histórias de pessoas que chegam a rodar 80 mil
quilômetros sem nem lembrar que existe óleo a ser trocado. Ao serem
indagadas, respondem com uma outra pergunta: “Óleo? Precisa trocar o óleo?”
Ou de místicos, que acham que haverá melhor rendimento se a troca for em
noite de Lua cheia.
Para tirar uma série de dúvidas a respeito daquela série de letras e números
que aparecem nas embalagens de óleo, Interpress Motor fez
uma série de perguntas.
> Quantos tipos de óleo de motor existem? Como são eles?
Os óleos são caracterizados por suas especificações. Para melhor defini-los,
precisamos observar três aspectos:
1) Especificação de desempenho - a mais tradicional é a API (Instituto
Americano de Petróleo), mas existem especificações européias, como Acea e as
respectivas de cada montadora. Para API a especificação mais moderna é a SM,
que está sendo introduzida no Brasil, principalmente para produtos de alta
performance, uma vez que requer óleos básicos especiais.
2) Especificação de viscosidade - regulada pela SAE (Sociedade de
Engenheiros da Mobilidade), há basicamente dois grupos, o de monoviscosos
(como 30, 40 e 50) e multiviscosos (como 20w50, 10w40, 5w40); os
multiviscosos têm maior capacidade de resistir à variação térmica dos
motores, apresentando menor redução de valor quando do aumento da
temperatura.
3) Base do óleo - pode ser mineral, sintética ou semi-sintética. As marcas
tradicionais no mercado (Petrobras, Shell, Texaco, Mobil, Castrol, Ipiranga
e Repsol) costumam ter produtos que atendem a essas especificações.
> Como decido que tipo de óleo usar?
A definição do lubrificante envolve uma série de quesitos, mas a
forma de simplificá-la é seguir a recomendação do manual do proprietário,
que traz a recomendação do fabricante que é quem melhor conhece seu veículo
e pode definir, por meio de testes, as condições operacionais e a
especificação mais adequada do lubrificante.
Seguindo essa recomendação, trabalhando com marcas tradicionais e confiáveis
e consultando seu mecânico de confiança, você chegará a uma escolha
adequada. Tendo dúvida, o cliente ainda pode consultar o serviço de
atendimento ao cliente. Também no rótulo das embalagens em geral se
encontra um número de atendimento, quase sempre um 0800 que pode ser
acionado pelo cliente.
> Quando devo completar o nível de óleo?
Com o uso do carro, o nível do óleo baixa um pouco devido às folgas
do motor e à queima parcial na câmara de combustão. Assim, enquanto não
chega a hora de trocar o óleo, devemos ir completando o nível.
> Qual o nível correto do óleo no carro?
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o nível correto se
encontra entre os dois traços e não só no traço superior. Se o óleo fica
abaixo do mínimo da vareta, o motor pode ser prejudicado por falta de
lubrificação. No entanto, se o óleo fica acima do máximo da vareta, haverá
aumento de pressão no cárter, podendo ocorrer vazamento e até ruptura de
bielas, além do óleo em excesso ser queimado na câmara de combustão sujando
as velas e as válvulas, danificando também o catalisador no sistema de
descarga do veículo.
> Quando devo trocar o óleo do carro?
Quando atingir o período de troca recomendado pelo fabricante do
veículo e que consta do manual do proprietário. Os atuais fabricantes dos
motores vêm recomendando períodos de troca cada vez maiores, dependendo do
tipo de serviço e da manutenção do carro.
 
Folgas no motor e queima fazem com que seja preciso completar o
nível
> É verdade que o motor deve estar quente na hora de troca de óleo?
Sim, porque quando o óleo está quente, ele fica mais fino e tem mais
facilidade de escorrer, além do que as partículas de impurezas ainda estão
em suspensão.
> Quanto tempo devo esperar para medir o nível de óleo?
É importante que se espere pelo menos 15 minutos após o motor ter
sido desligado para medir o nível. Isso ocorre porque, neste tempo, o óleo
vem descendo das partes mais altas do motor para o cárter e assim podemos
ter a medida real do volume.
> Posso aumentar o período de troca quando uso óleos sintéticos?
Embora os lubrificantes sintéticos ofereçam qualidade superior, a
maioria dos fabricantes de veículos ainda não diferencia os períodos de
troca entre sintéticos e minerais. Recomendamos então seguir a indicação do
manual do proprietário.
> Qual a diferença entre “serviço severo” e “serviço leve”, que são
termos usados pelos fabricantes de veículos quando falam em intervalos de
troca?
Serviço severo é típico para os carros que andam nos centros
urbanos, com o anda-e-pára do tráfego e por pequenas distâncias, de até seis
quilômetros, ou em estradas em que haja muita poeira. Serviço leve é aquele
em que os carros trafegam por percursos longos e velocidades quase
constantes em rodovias com boa pavimentação, como no caso de viagens.
> O filtro de óleo também deve ser trocado? Quando?
Sim. O óleo, com seus aditivos detergentes e dispersantes, carrega
as sujeiras que iriam se depositar no motor. Ao passar pelo filtro, as
impurezas maiores ficam retidas, e as menores continuam em suspensão no
óleo. Chega um momento em que o filtro, carregado de sujeira, dificulta a
passagem do óleo, podendo causar falhas na lubrificação. A situação se
agrava quando ocorre o bloqueio total do filtro de óleo, o que pode causar
sérios danos ao motor.
O período de troca do filtro de óleo também é recomendado pelo fabricante do
veículo e consta do manual do proprietário. Normalmente ela é feita a cada
duas trocas de óleo. Porém já existem fabricantes que recomendam a troca do
filtro a cada troca do óleo, para que não haja mistura do óleo novo com o
residual que se encontra no filtro.
> Devo adicionar algum aditivo ao óleo para melhorar o desempenho?
Não há necessidade de adicionar aditivos complementares ao óleo. Os
lubrificantes recomendados já trazem todos os aditivos necessários para
atender perfeitamente ao nível de qualidade exigido.
> Quais são os efeitos de usar cada óleo em cada tipo de motor? Se
eu comprar um óleo para alta performance e colocá-lo em meu carro 1.0,
estarei correndo algum risco?
Quando o óleo atende ou supera a especificação requerida pelo
fabricante, os efeitos são só positivos, pois o lubrificante vai exercer sua
função de forma adequada, garantindo que o motor estará sempre bem
lubrificado. O grande problema é utilizar lubrificantes com especificações
inferiores ao exigido pelo fabricante, pois essa prática poderá fazer com
que o motor funcione sem atender ao mérito de limpeza adequadamente,
causando desgastes prematuros, redução da vida útil do lubrificante, entre
outros problemas.
> Há casos em que posso desperdiçar dinheiro? Ou seja, comprar um
óleo mais caro sem precisar?
O que precisamos avaliar aqui é o custo do lubrificante quando
comparado ao custo total de manutenção e o próprio valor de veículo,
principalmente quando analisamos a taxa de freqüência de troca que gira em
torno de uma a duas trocas por ano. Correto seria utilizar lubrificantes que
atendam a especificação do veículo. Utilizar lubrificantes superiores, ainda
que possa ser mais caro, vai garantir que seu motor esteja bem protegido.
Caso o consumidor se sinta confortável em utilizar especificações
superiores, não estará desperdiçando dinheiro, pois seu carro apresentará
uma melhor lubrificação, o que pode aumentar sua vida útil e reduzir os
custos de manutenção. Um ponto importante a observar é que os óleos
sintéticos têm viscosidades mais baixas, o que em carros muito antigos pode
implicar em um maior nível de consumo de óleo, que precisa ser acompanhado.
O litro de óleo mineral custa a partir de R$ 6, e o de sintético chega a R$
60.
> Qual é a relação entre usar combustível de um posto não muito
confiável e a questão da lubrificação?
Combustíveis adulterados são danosos ao motor e implicam queima
inadequada e excesso de sujeira no motor. Lubrificantes de maior
performance, como semi-sintéticos e sintéticos poderiam resistir um pouco
mais que os minerais, mas não seriam suficientes para evitar a borra em
motores que rodam com combustíveis fora das suas especificações,
principalmente aqueles adulterados com solventes.

Nível correto na vareta é entre os dois traços, não apenas no
superior
> É verdade que o óleo de motor deve ser claro, e o de engrenagem,
escuro?
Não. Os óleos lubrificantes são formulados misturando-se básicos e
aditivos e a sua cor final dependerá da cor do básico e do aditivo que forem
empregados na sua formulação. Além disso, a cor não tem nenhuma influência
no desempenho do óleo.
> O óleo mais escuro é também mais grosso?
Eis outro conceito errado. O óleo mais claro pode ser mais viscoso
(grosso) do que um óleo escuro e vice-versa.
> Por que o óleo de motor fica escuro com o uso?
Para realizar a função de manter o motor limpo, o óleo deve manter
as impurezas que não ficam retidas no filtro de óleo em suspensão, para que
elas não se depositem no motor. Desta forma, o óleo se torna mais escuro, e
o motor fica limpo.
> Ouço dizer que óleo bom é aquele que não baixa o nível e não
precisa de reposição. É verdade?
Não. A boa lubrificação é aquela em que o óleo lubrifica até o anel
do pistão mais próximo da câmara de combustão onde esse óleo é parcialmente
queimado, sendo consumido. É normal um consumo de meio litro de óleo a cada
1.000 quilômetros, levando-se em conta carros de passeio. Mas cada
fabricante de motor especifica um consumo normal para seu motor, de acordo
com o projeto. É bom ressaltar que carro novo consome óleo, sim senhor!
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